De acordo com a FTC, o serviço “Active Listening” da Cox Media Group era apresentado como uma solução que usava áudio de dispositivos inteligentes, mas a agência afirma que dados de voz não foram utilizados. A FTC alega que os envolvidos teriam se apoiado na revenda de listas de e-mails obtidas com data brokers, enfraquecendo a alegação de que haveria opt-in do consumidor para segmentação baseada em voz.

Na estrutura da denúncia e do acordo, a FTC focou na diferença entre como o “Active Listening” foi vendido e como ele supostamente funcionava. A agência afirma que a Cox Media Group e duas empresas de marketing teriam informado aos clientes que o serviço, guiado por IA, direcionaria anúncios com base nas conversas realizadas pelos consumidores em seus dispositivos inteligentes, dando a entender que se tratava de uma ferramenta de publicidade “com opt-in” e acionada por voz. Segundo a FTC, essa comunicação teria sido enganosa: em vez de usar gravações da voz dos consumidores, a operação teria dependido de listas de e-mail obtidas com corretoras de dados e, depois, revendidas com finalidade de marketing. O ponto central, no entendimento da FTC, é que a proposta de valor anunciada para o serviço envolvia a coleta e o processamento invasivos de dados de voz — algo que, em geral, exigiria um consentimento claro e significativo para o uso de dados sensíveis. A FTC também sustenta que um suposto “opt-in” transmitido por meio de termos de aplicativos não substitui um consentimento compatível com o que os consumidores foram levados a acreditar sobre o destino de seus dados relacionados à voz. Para consumidores e autoridades, o caso evidencia como campanhas de “escuta por IA” podem criar confiança em alegações altamente específicas de coleta de dados, mesmo quando os fluxos reais de dados são diferentes. Ao exigir pagamentos para encerrar as alegações, a FTC sinalizou que as empresas precisam alinhar as divulgações e as práticas de consentimento ao que realmente fazem com os dados.