Um juiz federal declarou a processadora de pagamentos Cliq Inc. e dois de seus executivos em desacato civil por descumprirem uma ordem judicial vinculada à FTC. A decisão resultou na aplicação de US$ 6,5 milhões em sanções, após alegações de processamento ligado a comerciantes de alto risco e falhas nos controles antifraude.

A FTC anunciou em 19 de maio de 2026 que um tribunal federal considerou a Cliq Inc. e dois de seus executivos em desacato civil por violarem uma ordem judicial de 2015. Essa determinação buscava impedir que a empresa permitisse fraudes contra consumidores. O caso evidencia um padrão recorrente em ecossistemas de golpes: mesmo quando a fraude começa em sites falsos ou por meio de impersonação, a “infraestrutura de pagamentos” pode transformar a campanha criminosa em receita rapidamente. De acordo com a FTC, o desacato se concentrou no processamento ilegal de transações para comerciantes de alto risco, apesar das restrições impostas pela ordem anterior. A agência afirma que os réus teriam deixado de implementar requisitos de subscrição (underwriting) e triagem, além de não cumprirem as etapas de reporte exigidas para identificar e restringir atividades fraudulentas. Diante disso, o tribunal impôs US$ 6,5 milhões em sanções. A ação de enforcement indica que os reguladores estão dispostos a responsabilizar intermediários — e não apenas os golpistas — quando eles continuam viabilizando fraudes após terem sido instruídos a alterar suas práticas. Para consumidores, o episódio reforça que golpes podem ser sustentados por fluxos de pagamento que parecem legítimos e transferem fundos com velocidade. Para empresas e plataformas, o recado é a necessidade de controles de conformidade capazes de identificar comerciantes arriscados e evitar reincidências em exigências determinadas por decisões judiciais.